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Ucrânia está interessada apenas em obter tréguas

 

Moscovo anunciou que Kiev procura estabelecer uma trégua táctica, e não conversações de paz, afirmou o ex-secretário do Conselho de Segurança russo e conselheiro presidencial para assuntos navais, Nikolai Patrushev, deixando transparecer que o objectivo é reorganizar as posições no teatro de operações militares.

"O Ocidente e a Ucrânia estão interessados em recuperar as suas forças, precisam de uma trégua. Todas estas declarações são tácticas. Se olharmos para as suas acções, eles não estão a fazer nada pelas negociações de paz", disse Patrushev citado pela imprensa brasileira.

O responsável recordou que Vladimir Zelensky, "quando ainda era Presidente legítimo, proibiu, por decreto, negociações com a Rússia". Outro factor importante, segundo Patrushev, é que a Rússia hoje tem "superioridade sobre a Ucrânia no campo de batalha".

Em relação às próximas eleições presidenciais nos EUA, Patrushev afirma que o resultado, seja "[Donald] Trump ou [Kamala] Harris, não faz absolutamente diferença e que, por enquanto, nada muda para Moscovo".

Europa acolhe meios aéreos ucranianos

As Forças Armadas da Ucrânia implantam meios aéreos em aeródromos de países terceiros, particularmente na Polónia, com o pressuposto de que a Rússia não os vai bombardear lá, temendo um conflito aberto com a OTAN. Já os aeródromos ucranianos são usados para recarga e reabastecimento, relatou uma fonte nos órgãos de segurança, segundo a imprensa brasileira.

"Forças Armadas da Ucrânia utilizam aeródromos de países terceiros, em particular da Polónia, para baseamento da sua Força Aérea. Isto é feito com o objectivo de limitar a possibilidade de fogo sobre equipamentos inimigos pelos meios das Forças Armadas russas, uma vez que um ataque em territórios de países terceiros levaria a um confronto directo [da Rússia] com os países da UE e da OTAN", realçou o interlocutor.

Acrescentou que os aeródromos militares no território da Ucrânia são usados pelo Exército apenas para reabastecimento de combustível e munição. Anteriormente, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, não descartou a possibilidade de atingir aviões ucranianos em países terceiros. Referiu que as Forças Armadas da Rússia vão considerar opções para destruir os caças F-16 prometidos a Kiev, mesmo que estejam baseados em outros países.

Polónia e Hungria com relações tensas

Uma polémica diplomática entre a Polónia e a Hungria, no fim-de-semana, revelou as profundas tensões existentes na Europa sobre a forma de lidar com a Rússia, que está em guerra contra a Ucrânia. A Polónia, tal como a Alemanha, França e a maioria das outras nações europeias, é um aliado firme da Ucrânia, enquanto o Primeiro-Ministro da Hungria, Viktor Orbán, é amplamente considerado como tendo as relações mais calorosas com o Kremlin, entre todos os líderes da UE.

O Governo polaco tem criticado abertamente a Hungria pela sua posição. A polémica surgiu quando Orbán atacou a Polónia durante o fim-de-semana. "Os polacos estão a seguir a política mais hipócrita de toda a Europa. Dão-nos lições de moral, criticam-nos pelas nossas relações económicas com a Rússia e, ao mesmo tempo, fazem negócios com os russos e compram petróleo indirectamente, fazendo funcionar a economia polaca com esse petróleo", disse Orbán.

As declarações desencadearam uma resposta de negação e raiva de um vice-ministro polaco dos Negócios Estrangeiros, Wladyslaw Teofil Bartoszewski, que disse no domingo: "Nós não fazemos negócios com a Rússia, ao contrário do Primeiro-Ministro Orbán, que está à margem da sociedade internacional - tanto na União Europeia como na OTAN".

A Polónia já foi dependente das fontes de energia russas, mas há anos que trabalha para se libertar do petróleo e do gás russos. Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, a Polónia decidiu acabar com as importações de petróleo russo.

Citada pela AP, Magda Jakubowska, vice-presidente da Visegrad Insight, uma revista de política centrada na Europa Central, disse que a Polónia pode ainda ter algum petróleo russo em reservas de fornecimentos anteriores, mas que já não importa da Rússia. O oleoduto Druzhba, que trazia petróleo da Rússia para a Polónia, "já não está a funcionar", disse, relaçando que cerca de 50 por cento das importações da Polónia provêm agora da Arábia Saudita.

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