Uma mulher, de 52 anos, foi detida, domingo, no distrito urbano do Zango, município de Viana, província de Luanda, e a filha de 11 anos encaminhada para o centro "Horizonte Azul", também em Viana, na sequência da circulação, nas redes sociais, de um vídeo em que a menor aparece, na via pública, a contorcer-se com de dores e a implorar por ajuda para a retirada de fios de electricidade com que foi amarrada nos membros superiores e inferiores.
No vídeo, que viralizou nas redes sociais, a menor dizia, a chorar, que foi castigada pela própria mãe, cujo nome mencionou. "Eu disse à minha mãe que me deixasse só dinheiro para comprar comida, porque ela não gosta de me dar comida", explicou a criança a um senhor que, ao mesmo tempo, lhe fazia perguntas e gravava, diante da presença de vários transeuntes.
O homem, enquanto fazia a gravação, orientou a um espectador para desamarrar a menina, invocando a importância das imagens como prova, com vista à detenção da mãe, por maus-tratos, o que veio a acontecer no mesmo dia.
A mãe da menina foi detida em casa, no bairro Kitondo II, informação avançada, domingo à noite, ao Jornal de Angola pela directora-geral adjunta do Instituto Nacional da Criança (INAC), Elisa Gourgel, que confirmou ter mantido uma conversa com a senhora.
A mãe da criança contou à directora-geral adjunta do INAC que não foi a primeira vez que amarrou a filha e que só agia desta forma porque, quando sai de casa, em busca do sustento da família, a filha pede-lhe para a acompanhar, por, alegadamente, sentir saudades da mãe.
Elisa Gourgel ouviu, também, da detida que amarrar a filha tinha sido a solução que encontrou, para a criança não sair de casa, precaução que aumentou, como alegou, depois de a menina ter sido atropelada por uma motorizada.
"O INAC, à luz das suas responsabilidades , fez o devido acompanhamento, a partir do momento em que tomou conhecimento do vídeo, tendo contactado, imediatamente, os seus parceiros, como o Serviço de Investigação Criminal (SIC), a Polícia Nacional, a Acção Social a nível do município de Viana, e, assim, foi possível chegar à casa da vítima", disse Elisa Gourgel.
"Nós condenamos esta acção, porque nenhum motivo justifica a barbaridade cometida por esta mãe na repreensão da filha", defendeu a directora-geral adjunta do INAC, confirmando que "atitudes do género têm sido recorrentes" no país.
A responsável do INAC assegurou ao Jornal de Angola que a criança vai receber acompanhamento hospitalar necessário, incluindo psicológico.
"A menina pode não ter um ferimento visível, mas pode ter trauma que, se não for acompanhada, pode deixá-la com sequelas graves, caso não exteriorize o que vivenciou na convivência com a mãe", adiantou Elisa Gourgel.
"Por esta razão, vai ser acompanhada por psicólogos, através de terapias", acentuou a directora-geral adjunta do INAC, garantindo que a instituição vai continuar a trabalhar para o devido acompanhamento da menor.
A detida é mãe solteira, tem quatro filhos, três dos quais já não estão sob a sua guarda há já algum tempo, e faz pequenos negócios para o sustento da família.
Fonte: Jornal Angola

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